A seleção dos doze de Jesus
Ir Sara Raquel
22 de Fevereiro de 2026 (Domingo)
“Então escolheu doze para ficarem com Ele e serem enviados para anunciar o evangelho. A esses doze ele chamou de apóstolos” (Marcos 3.14,15).
O texto de hoje fala de escolhas. Não de uma escolha comum, mas especial, da autoridade suprema olhando para pessoas comuns, convocando-as para uma grande missão, e as intitulando como apóstolos. A escolha de Jesus por aqueles homens foi diferente para os selecionados. Não partiu dos aprendizes querendo aprender com o mestre, mas do Mestre por excelência assumindo o compromisso de capacitar pessoas que dificilmente seriam selecionadas pelos líderes influentes daquele tempo.
Os doze foram escolhidos por Jesus, não apenas para fazer algo, mas para estar com Ele. Que privilégio! Antes do envio, houve presença, relacionamento, intimidade, ensino, discipulado. Ser chamado pelo nome, separado entre tantos, convidado a caminhar lado a lado com o Mestre e ainda anunciar as verdades do Reino não é apenas uma honra, é uma responsabilidade transformadora.
Reflita comigo: se hoje Jesus te chamasse para realizar algo que você nunca fez, você diria sim? Mesmo sem saber como? Mesmo sem se sentir preparado?
Quando Jesus chamou os discípulos, cada um estava mergulhado em suas próprias prioridades. Havia redes, impostos, rotinas, planos. Eles não sabiam o que era pregar, curar ou expulsar demônios. Não tinham currículo ministerial. Tinham apenas um convite: “Siga-me”. O ministério de Jesus não foi uma sala de aula teórica, foi estrada, foi mesa, foi tempestade, foi confronto. Ele os ensinou na prática que todo poder vem do céu, e que não era sobre aprender técnicas, mas sobre depender da virtude de Deus.
E hoje? Ao ouvir um chamado sem certeza de futuro, você iria ou pensaria em possibilidades?
Vivemos dias de ativismo, onde facilmente colocamos nossas conquistas em primeiro lugar. Mas, como cristãos, aprendemos que a prioridade é o Reino. Depois disso, tudo o que Deus já preparou será acrescentado (Mt 6.33). Buscar a vontade de Jesus é o verdadeiro norte para escolher uma profissão, uma faculdade, um emprego, uma moradia, um casamento. Em tudo há um propósito eterno sendo gerado. Ele usa nossos talentos, nossas histórias e até nossas limitações para a glória dEle.
Antes de nomear os discípulos, Jesus subiu ao monte, lugar de separação, de silêncio e de decisão. Ele chamou os que escolheu, para que estivessem com Ele e fossem enviados. E, a partir da intimidade, o chamado nasceria, a chama arderia no coração dos discípulos por meio da comunhão com Jesus. Não houve segunda chamada, não tiveram recursos nem apadrinhamentos. Naquele dia, após divulgada a lista, a formação teórico-prática-vivencial iniciaria.
Mesmo conhecendo o perfil de cada um, Jesus não escolheu os mais seguros, os mais equilibrados ou os mais influentes. Ele escolheu os improváveis. Não buscou conforto, bem-estar ou pessoas prontas. Seu desejo era moldar o caráter, enxertar vida onde havia impulsividade, medo, insegurança, e fazê-los florescer na impossibilidade!
Pedro é um exemplo vivo dessa realidade: impulsivo, intenso, muitas vezes precipitado, inconstante. Quando questionado sobre o tributo, Jesus se antecipa à ansiedade de Pedro e o ensina com mansidão. “Vai ao mar, Pedro, lança o anzol, tira o primeiro peixe fisgado e encontrarás em sua boca um estáter (equivalente ao tributo de duas pessoas); entrega-o por mim e por ti.” (Mateus 17.27). Nesta lição, o Mestre ensina ao seu aprendiz que, embora os filhos sejam livres, às vezes a sabedoria está em agir com equilíbrio para não gerar escândalos. A verdade prática dessa aula não é sobre provar que estamos certos, é sobre refletir o caráter de Cristo.
Aquele Pedro “esquentado” tornou-se líder; o discípulo impulsivo tornou-se pastor; o homem instável passou a ser um representante devotado ao Mestre, a ponto de não temer prisões, perseguições e até a morte. Tudo isso porque Jesus investiu nele, com amor e graça. Onde muitos veriam problema, Ele viu propósito!
Não importa quantos anos leve, o Evangelho só avança por meio de renúncia e dedicação. Jesus nos chamou para frutificar em um mundo corrompido. A diferença começa em nós! Precisamos “enxertar” as verdades de Cristo, para que outros experimentem cura, libertação e o verdadeiro amor que ainda não conhecem.
Um dia, alguém investiu em nós. Alguém orou, ensinou, suportou nossos processos e hoje desfrutamos da presença do Senhor porque houve semeadura. Não podemos ser egoístas guardando tamanha graça. Fomos nomeados, separados, enviados. Isso é privilégio!
Se negligenciamos o chamado, ignoramos a voz que nos escolheu, Mas se respondemos hoje, com disponibilidade e dependência, Ele mesmo nos capacita.
Você já tem ferramentas, carrega sementes. Peça estratégia ao Senhor. Ele conduzirá você a um novo tempo!
Desafio do discípulo.
Desafio você, leitor, a multiplicar o que recebeu do Senhor. Ao seu lado, certamente tem alguém que precisa ser lapidado(a), e poucos desejam investir. Se você conseguiu enxergar isso, és o escolhido(a)! Através do que você plantar na vida dele(a), novos discípulos serão gerados. Ore ao Senhor e decida investir em no mínimo 1 pessoa em 2026: ame, discipule e exerça o chamado de Jesus!
Oração.
Amado Deus, te agradeço pelo teu chamado, por compreender as verdades eternas contidas na Tua Palavra, pela ação do Espírito Santo. Assim como chamaste os discípulos, sinto-me chamado por Ti. Perdoa-me por negligenciar muitas vezes a tua voz, mas quero ser um instrumento para gerar nos corações o desejo de multiplicação. Capacita-me para essa nova jornada e concede-me graça para exercer com amor o teu ministério. Quero ser usado por Ti. Mostra-me pessoas que precisam florescer na tua presença e que almejam multiplicar. Oro em nome de Jesus, Amém.
Abra o seu coração.
- Hoje compreendemos que somos discípulos quando multiplicamos a voz dEle, o caráter dEle, o amor dEle. Quanto estamos dispostos a investir para ver o Reino crescer?
- Quem podemos discipular?
“Um dia, alguém investiu em nós. Orou, ensinou, suportou nossos processos e hoje desfrutamos da presença do Senhor porque houve semeadura.”
Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.