Ir. Rebeca Otaviano
12 de abril de 2026
“Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele.” (Marcos 6:3).
Você já sofreu rejeição? Ou já se sentiu desprezado e desacreditado por sua própria família e amigos? Acredite! Jesus também sofreu. Sua história não é única, particular, acima de todos os sofrimentos humanos (1 Co 10.13).
Em Mc 6:1-5, o evangelista descreve um acontecimento até certo ponto constrangedor. Jesus está chegando em casa, na sua pátria, em Nazaré. Seu ministério já é real; milagres são operados por onde Ele passa, pelo poder da sua Palavra; seus ensinos são profundos e com autoridade. O que se espera de alguém com todo esse “currículo” regressando aos seus? Ao contrário do que você imaginaria, o texto relata que Jesus é recebido com rejeição, desconfiança e críticas. Provavelmente, aqueles que O rejeitam são as mesmas pessoas que O viram crescer. O que poderia ser orgulho e honra – Ele era o Cristo, o filho do Deus vivo – tornou-se numa situação vergonhosa, visto que eles escandalizavam-se pelos feitos de Jesus.
Eu posso imaginar a dor da rejeição que Cristo sentiu naquele momento. Afinal, o desprezo vinha de pessoas importantes na sua vida. Para eles, um simples carpinteiro não seria capaz de ter tanta sabedoria e de operar milagres. Num primeiro momento até o admiravam, por sua sabedoria e milagres, porém logo a admiração deu espaço à incredulidade.
“E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? E que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele.” (Mc 6.2,3).
A atitude deles não surpreendeu a Jesus. Suas palavras não refletem frustração pessoal, mas revelam a dureza do coração daqueles ouvintes, bem como a sentença. A incredulidade não limitava o Mestre, mas impedia-os de desfrutar das bênçãos advindas dEle.
“E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. E não podia fazer ali nenhuma obra maravilhosa; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.” (Mc 6.4,5).
A lição que Jesus deixa para nós nesse acontecimento é que, diante de corações endurecidos, milagres não são suficientes para quebrantá-los; A incredulidade impede os homens de crer e desfrutar das verdades libertadoras da graça da salvação. Voltando à cena, a incredulidade reinava na vida dos nazarenos.
A história de rejeição de Jesus é também um vislumbre profético, tal como ele afirmou, que aqueles que se identificam com Ele seriam perseguidos, maltratados, caluniados, desprezados. E os chamou de bem-aventurados (Mt 5.11,12). Ademais, os perseverantes seriam recompensados (Mt 10.22).
Talvez essa seja a sua história. Você pode estar sofrendo perseguição, sendo “escanteado”, desvalorizado e até rejeitado por amigos, pessoas que cresceram ao seu lado, colegas de trabalho e até familiares. Estes, ao invés de incentivar, ajudar, estimular, induzem-nos a desistir, parar. Seja na caminhada com Cristo ou em meio a projetos pessoais. Já ouviu de alguém: “É algo grande demais para você”? Como se sente? O que fazer? Qual a sua esperança?
Uma palavra de esperança para você, leitor: Jesus não nos deixou “perdidos” em meio a situações desestimulantes. Antes, Ele nos ensinou algo grandioso: siga em frente, confie em mim, eu sou o teu socorro”. Na continuidade da narrativa (Mc 6.6-12), Ele não discutiu nem quis provar quem era para aquele povo. Simplesmente partiu para ensinar a outros que estavam dispostos a ouvi-lO. Tal atitude nos mostra a importância de sairmos de ambientes que nos fazem mal, que nos convidam à desistir, que nos levam a duvidar do amor de Deus para conosco e de seus propósitos para nossas vidas (Rm 8.28,29). Nas palavras de Paulo, até mesmo nas dores e frustrações Deus tem algo a nos ensinar.
Em momento algum encontramos Jesus desanimado ou inseguro quanto ao seu ministério. Ele tinha convicção do propósito de Deus à humanidade, por intermédio da sua pessoa. Nada nem ninguém o tiraria da cruz, para nos dar nova vida nEle. Ele sabia quem era: o Emanuel, Deus Conosco. Logo, diante das incertezas e inseguranças, precisamos lembrar quem somos em Cristo: reconciliados com o Pai; recebidos por adoção; peregrinos na terra rumo às moradas eternas com o Deus Trino.
Jesus, mesmo diante de tamanha oposição e descrédito, deu prosseguimento à sua agenda. Ele separou os doze discípulos em duplas, os instruiu quanto à missão que estavam prestes a realizar, como proceder, o que falar, como falar e, em meio às negativas dos povos, seguir em frente. Um detalhe importante: caminhada dois a dois. Será que Ele queria nos ensinar algo com isso? Reflita um pouco.
Posso compartilhar um pensamento seguido de uma experiência pessoal: Deus sempre colocará nas nossas vidas pessoas verdadeiras, amigos mais chegados que irmãos (Pv 18:24), para estarem ao nosso lado, para sonhar conosco e nos estender a mão sempre que necessário.
Certa vez eu tinha passado por uma situação difícil, em que fui desacreditada por algumas pessoas que trabalhavam comigo, trazendo-me tristeza e dor no coração por muitos dias. Certo dia, estava muito angustiada, e Deus falou comigo: “Nunca deixarei faltar mãos para te ajudar”. Tempos depois, o Senhor levantou pessoas para caminharem ao meu lado, firmes no propósito do Reino. Portanto, não se entristeça quando a rejeição bater à sua porta. Descanse nos braços daquEle que te conhece e que tem planos muito maiores e melhores (Jr 29.11-13). Ele sempre trará pessoas especiais para caminhar ao seu lado, em suas peregrinações terrenas. Peça ao Senhor e Ele te enviará amigos segundo o Seu coração.
Desafio do Discípulo.
Identifique uma situação em que você se sentiu rejeitado e escreva sobre ela, e lembre-se:
- Busque apoio em pessoas que o apoiam e o encorajam.
- Você é amado e aceito por Deus, e que Ele tem planos maiores para você (Jeremias 29:11-13).
Oração.
Senhor, quando a rejeição me cercar e a dor da desaprovação me atingir, lembre-me de que Tu estás comigo. Ajuda-me a compreender os Teus propósitos em minha vida, concede-me uma visão ampla, de águia, conforme a Tua Palavra me revela. Concede-me forças para seguir em frente, confiando no Teu propósito. Ajude-me a encontrar apoio em pessoas que me amam e me encorajam no Senhor. Coloca em minha vida amigos segundo o Teu coração, e traz diariamente à minha memória a verdade de que sou Teu filho(a) amado(a), aceito e aprovado(a) por Ti. Amém.”
Abra o seu coração.
- Qual a sua reação quando se vê diante da rejeição?
- Você já se sentiu como os nazarenos, que não acreditaram em Jesus apesar de verem seus milagres?
- Quem são as pessoas que Deus colocou em sua vida para apoiá-lo(a) e encorajá-lo(a)?
“Jesus não nos deixou ‘perdidos’ em meio a situações desestimulantes. Antes, nos ensinou algo grandioso: Siga em frente, confie em mim, eu sou o teu socorro.”