Pb. Joab Lucas
29 de março de 2026
“Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vá para casa, para a sua família e anuncie-lhes quanto o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você” (Mc 5.19).
Há dias que parecem comuns, mas são especiais na vida de alguém. A princípio, nada de novo. No entanto, a presença de Jesus torna esses dias transformadores, libertadores, restauradores. Assim foi aquele dia para um homem intitulado como “endemoninhado de Gadara (Gesara). Ele não estava orando por esse encontro, não consagrava-se para viver algo novo no Senhor. Antes, caminhava de mal a pior – nu, violento, solitário, desprezado pela sociedade, possesso, desesperançoso. Não morava em palacete nem tampouco num barraco, mas em sepulcros. Talvez pudéssemos chamá-lo de alguém de “alta periculosidade”, a ponto de ser guardado por grilhões e cadeias, os quais não o detinham. Os demônios governavam sua vida e seu destino. Por onde passava, os seus gritos de terror ecoavam. Talvez os pais dissessem às crianças brincando: “Venham para dentro, esse homem é perigoso; fiquem longe dele”.
Mas, estava à caminho daquela próspera cidade na região de Decápolis, predominantemente habitada por gentios, vivendo sob forte influência grega e romana, Aquele que tem Todo o poder, capaz de repreender toda e qualquer legião de demônios – Jesus de Nazaré. o Filho do Deus Altíssimo. Sua ida a Gadara era intencional – Ele transformaria um miserável em propagador das boas novas de salvação. Na chegada, a recepção não foi das melhores. Não havia multidões para receber o Salvador; nenhuma caravana, carro de som, outdoor, anúncio nos meios de comunicação local, nada anormal. O texto afirma que, ao descer do barco, aquele homem recebe Jesus com palavras não muito convidativas: “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes.” (v.7). Sabendo a condição daquele homem, as primeiras palavras de Jesus direcionadas aos demônios que o aprisionavam foram: “Sai deste homem, espírito imundo” (v.8). A partir de então, um misto de aventura, drama e ação, com um final feliz.
Ainda sobre o diálogo inicial, salta aos nossos olhos a forma como os demônios se dirigem a Jesus: “Filho do Deus Altíssimo”. A pergunta feita pelos discípulos no último versículo do capítulo 4 (v. 41) encontra agora uma resposta: aquEle que havia acalmado o mar e o vento também tinha o poder de transformar a vida de homem endemoninhado. Afinal, seu poder não é limitado. Nada está distante do seu agir. Basta apenas uma palavra e a cura, a libertação, a transformação acontece. Só uma palavra de Cristo é suficiente para mudar toda e qualquer situação. Nenhuma legião de demônios poderá refrear o Poder de Cristo. Aleluia!
O intrigante de tudo isso é como as pessoas, abismadas pelo ocorrido, vão até Jesus. Elas poderiam ser gratas pelo milagre; por restaurar a vida daquele miserável e temido homem. Agora a cidade teria paz, as crianças poderiam brincar alegremente, o anônimo endemoninhado poderia ser chamado pelo nome e voltar ao convívio social, familiar, relacional. Eles viram o ex-endemoninhado com nova roupagem: cabelos cortados, barba feita, vestido e em perfeito juízo, interagindo com as pessoas. No entanto, o texto afirma que, após a notícia ser propagada entre os moradores, o povo ficou tão temeroso, tão assombrado, que suplicaram a Jesus para deixá-los (v. 14-17). Em outras palavras, eles convidaram Jesus para ir embora daquela cidade. Que falta de visão, que decisão precipitada, que loucura. Mas será que muitos não agem assim em nossos dias? Quantas histórias teriam desfechos diferentes se o Salvador estivesse no meio?
Por outro lado, a libertação causou na vida daquele homem o desejo profundo de ser um discípulo de Cristo. Afinal, Cristo trouxe-lhe significado, sentido e identidade. Para surpresa dele, Jesus disse “não”. Havia uma missão maior para o homem naquela cidade: “Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes quão grandes coisas o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti” (v.19). O lugar dele era no ambiente da transformação. Daquele dia em diante, cada passo era um testemunho visível e ambulante da graça, da misericórdia e do amor de Deus em favor das pessoas. Era também um chamativo: “Se alguém deseja, venha” (Mt 11.28; Harpa Cristã n° 109).
“E ele foi, e começou a anunciar em Decápolis quão grandes coisas Jesus lhe fizera; e todos se maravilharam.” (v.20). Que história emocionante, que testemunho belíssimo, que relato comovente. Aquela cidade nunca mais foi a mesma depois daquele dia em que Cristo decidiu agir em favor de um homem, para a glória dEle.
Desafio do Discípulo
Testemunhe onde você está. Compartilhe com sua família, amigos e próximos aquilo que Jesus já fez na sua vida.
Oração
Pai, que alegria meditar nessa história de transformação operada pelo teu Filho e meu Salvador Jesus Cristo. Como é gratificante confiar em Ti e descansar em teus braços de amor. Faz de mim um propagador das boas novas de salvação, tal como aquele homem. Liberta-me de tudo o que me aprisiona, me silencia, me afasta de Tua santidade. Em nome de Jesus, amém.
Abra o seu coração.
- Existe alguma área da sua vida que ainda precisa ser totalmente rendida a Jesus?
- Você tem se calado quando deveria testemunhar sobre o amor de Deus?
- Hoje é dia de abrir o coração, reconhecer a ação de Deus e decidir viver como alguém transformado.
Quem foi verdadeiramente alcançado por Jesus não consegue permanecer em silêncio — sua vida se torna uma mensagem viva.
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