QUANDO TUDO PARECE FORA DE CONTROLE (Mc 6.45-56)

(aprendendo a confiar mesmo quando não entendemos)

Aux. André Bezerra (DEJAD – Setor 24)

03 de maio de 2026 (domingo)

“Tende bom ânimo; sou eu, não temais” (Marcos 6:50)

O texto dessa semana tem muitos detalhes, fortes e “emocionantes”. Um deles é que Jesus obrigou os discípulos a entrarem no barco, passarem adiante para o outro lado do mar até Betsaida, enquanto Ele despedia a multidão (v. 45), mesmo sabendo que eles iam enfrentar uma tempestade. Ao analisar esse momento, uma ideia é desconstruída em muitos corações: “nem toda dificuldade que passamos significa que saímos da vontade de Deus”. Às vezes, estamos exatamente onde Ele colocou e mesmo assim a tempestade vem ao nosso encontro (v. 48). Uma primeira lição é possível extrair para a nossa caminhada com Cristo: seguir a Jesus não é sobre não ter adversidades, mas em aprender a confiar nEle no meio delas.

Enquanto os discípulos estavam lá, sofrendo pra remar contra o vento, Jesus estava orando (v. 46,48). A princípio, pode parecer que o Mestre estava longe, despreocupado com os discípulos. Mas embora estivesse geograficamente distante, no monte, não estava desligado da situação. Ele sabia que os discípulos estavam em “apuros” e foi ao encontro deles, para socorrê-los e ensiná-los sobre fé e confiança.

Na jornada do cristão, mesmo esforçando-se para seguir e obedecer a vontade de Deus, ficamos cansados, desanimados, exaustos, correndo contra o tempo para cumprir agendas, planejamentos, ações. E mesmo assim, parece que estamos andando na contramão dEle: situações contrárias, enfermidades, oposições e outras dificuldades. Ficamos sem entender e até ensaiamos um questionamento: “Senhor, não te preocupas comigo?” (Lc 10.40); “Senhor, socorre-nos, vamos perecer” (Mt 8.25). A aflição dos discípulos e a chegada de Jesus trazem-nos uma segunda lição: Ele está vendo; não nos perde de vista; Seus olhos sempre estão sobre nós.

Quando Jesus aparece, eles não O reconhecem. Pelo contrário, ficaram com medo, se assustaram, confundindo-o com fantasmas (v. 49). Não somos tão diferentes deles. Há ocasiões complicadas em que somos tentados a achar que o Senhor se afastou de nós, ou que a situação vai piorar, levando-nos a não identificá-lo conosco, no caminho. A terceira lição dessa passagem é: Ele tem o controle de todas as coisas. “Anima-te, sou Eu, não temais” (v. 50).

Na continuidade do texto,  Marcos declara que quando Jesus entrou no barco, o vento se aquietou e tudo mudou, deixando os discípulos assombrados e maravilhados (v. 51). O destaque aqui não é somente o milagre, mas a condição do coração deles – endurecido. Eles ainda não tinham a compreensão correta de quem era Jesus (v. 52). A quarta lição tem a ver com discipulado: seguir a Jesus é um processo contínuo de aprender a confiar mais nEle do que no que está acontecendo ao nosso redor; é colocar em prática a confiança no Deus que tudo sonda, tudo vê, tudo conhece, tudo pode e está presente em todos os lugares.

O desfecho dessa história é que, passada a aflição no mar, eles chegaram ao seu destino, a terra de Genesaré, para continuidade do ministério de Jesus de ensino, pregação e operação de milagres, para a glória do Pai. Sua presença era sinônimo de curas do corpo e da alma (v. 54-56). 

Ao contrário dos discípulos na experiência do mar, aquele povo não somente reconheceu Jesus como acreditou que Ele tinha poder para curar os enfermos daquela localidade. Cabe-nos uma reflexão: será que, estando perto de Jesus, temos confiado nEle? Por fim, uma última lição: ser discípulo não é só estar perto de Jesus. Envolve confiança, intimidade, dependência. É reconhecê-lo nos momentos difíceis; acreditar que Ele não chega atrasado, pois tem o controle do tempo e de todas as coisas.

Desafio do Discípulo.
Essa semana, pense nas situações da vida que têm te deixado com medo, ansioso ou sem saber o que fazer (profissão, família, ministério, trabalho etc.). Em seu devocional diário medite nas Escrituras, especialmente nas passagens que ensinam a confiar em Deus, como Mateus 6.25-34; Marcos 9.17-29; Filipenses 4.6,7. Decida confiar mesmo sem entender.

Uma necessidade de oração.
Reflita sobre as vezes em que o medo sufoca a sua fé. Apresente em oração a Deus toda a sua inquietação, dificuldade de confiar, inseguranças e temores. Esse tempo é necessário e indispensável em sua caminhada de discípulo de Jesus.

Abra o seu coração.

  • Você tem reconhecido Jesus nas dificuldades ou só o medo tem falado mais alto?
  • O que hoje está “te assustando”, mas pode ser Jesus se aproximando?
  • Você está só andando com Jesus… ou realmente confiando nEle?

Quando você entende quem está no seu barco, o medo perde a força.

Comentários

Deixe um comentário