FIÉIS EM TUDO

(Responsabilidades do Servo)

Aux. Fabricio Moura

Líder DEJAD – Setor 22

Domingo, 13 de setembro de 2026

“E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E maravilharam-se dele.” (Marcos 12:17).

Vivemos numa sociedade onde muitas pessoas fogem de suas obrigações e responsabilidades. Tal comportamento tem adentrado no meio cristão: crentes têm sido associados ao descompromisso com suas responsabilidades, para tristeza nossa

Nessas horas, voltar-se à Palavra de Deus é o porto seguro indispensável ao cristão. Podemos usar como referência a passagem de Marcos 12. 13-17, intitulada “a controvérsia sobre o imposto”. Nela, temos um ensinamento recheado de sabedoria, prudência, discernimento e verdade ministrado por Jesus, o qual continua atual e indispensável em nossos dias. Em resumo, uma armadilha preparada pelos fariseus e herodianos para tentar ao Mestre, que resulta na admiração com a resposta do Senhor a eles. Jesus nos ensina que devemos cumprir as obrigações cívicas diante da sociedade e do governo, sem jamais deixar de lado a obediência, o amor e a adoração a Deus. “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” (v.17).

Precisamos entender que o fato de sermos cristãos e, muitas vezes, vivermos em uma sociedade ou sob um governo que caminha contrário às Escrituras, não estamos isentos das responsabilidades como cidadãos e como pessoas. Devemos pagar impostos, honrar contas, ter um “bom nome” e cumprir as obrigações. Tudo isso descreve quem somos em Deus e como refletimos a Cristo. Um verdadeiro cristão não pode ser conhecido como alguém que vive à margem da lei, que transgride as regras estabelecidas na sociedade ou que não honra seus compromissos. Isso diz respeito ao nosso caráter e testemunho, e é algo que precisa ser tratado e mudado urgentemente. Um verdadeiro cristão e servo de Deus deve ser exemplo em tudo!

Apesar dos vários ensinamentos que podem ser extraídos dessa passagem e dos diferentes pontos de vista que podem surgir dependendo da forma como as pessoas interpretam o mundo, a Bíblia nos apresenta uma verdade que precisa ser compreendida dentro de seu contexto. Naquele tempo, o povo sofria debaixo do domínio do governo romano. Os impostos eram altos, as leis eram extremamente pesadas e o povo enfrentava grandes dificuldades para honrar seus compromissos. 

Foi nesse cenário que os fariseus e herodianos tentaram encurralar Jesus. Se Jesus respondesse: “Os impostos precisam ser pagos fielmente a César; cumpram esse dever”, embora a resposta estivesse correta, aqueles que tramavam contra Ele poderiam usar a situação para colocar contra Jesus a dor que o povo sofria por causa dos altos impostos; poderiam criar um discurso dizendo que Jesus era aliado de César e, dessa forma, tentar fazer com que o povo deixasse de segui-lo. 

Por outro lado, se Jesus respondesse: “Os impostos são altos demais; não os paguem”, eles teriam o argumento necessário para acusá-lo de rebeldia contra o governo e poderiam tentar solicitar sua prisão por causa de suas palavras. Mas Jesus, sendo a própria sabedoria, respondeu de maneira extraordinária: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” Com uma única resposta, Jesus mostrou que existe uma responsabilidade que temos diante da sociedade, mas também deixou claro que existe algo que pertence exclusivamente a Deus.

Paulo, em imitação ao Senhor, recomenda aos crentes na epístola aos romanos, no capítulo 13, a sujeitar-se às autoridades governamentais, visto que não há autoridade que não tenha sido permitida por Deus. Ele ensina ainda que rebelar-se contra as autoridades constituídas coloca-se em oposição a Deus. 

O apóstolo Pedro, em sua primeira epístola caminha na mesma direção, afirmando que, por causa do Senhor, devemos nos sujeitar às autoridades humanas (1 Pedro 2). Isso demonstra que nossa postura diante das autoridades também deve ser uma expressão de nossa obediência e amor ao Senhor. É fato que a falta de humildade e vida rendida ao Senhor leva-nos a resistir às autoridades, inclusive eclesiásticas, em muitas delas, com justificativas egocêntricas e vitimistas. Mas, aprendemos pelas Escrituras que orar pelas autoridades é uma atitude de maturidade cristã (1 Tm 2), a qual poderá resultar em viver uma vida tranquila e pacífica. Talvez esse seja um dos grandes segredos: ao invés de reclamar das autoridades, precisamos aprender a orar por elas.

No entanto, Atos 5 apresenta uma exceção á esse entendimento: quando as exigências e diretrizes das autoridades opõem-se à Palavra de Deus. Diante de uma proposta para ficarem em silêncio quanto à propagar o Salvador, os apóstolos declaram com convicção e ousadia: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (At 5.29). 

Na prática, se uma autoridade exigir algo que viole diretamente a vontade e os mandamentos de Deus, nossa prioridade deve ser obedecer ao Senhor. Um exemplo claro encontramos na história de Hananias, Misael e Azarias. Eles estavam sujeitos às autoridades da Babilônia e, enquanto as ordens não conflitavam com a vontade de Deus, eram obedientes. Porém, ao serem constrangidos a adorar a estátua de Nabucodonosor, a posição deles era a total recusa, visto que violavam seus princípios de fé. Eles sabiam que existia uma autoridade acima de qualquer autoridade humana: o Deus vivo. Por isso, permaneceram firmes, mesmo diante das consequências, porque sabiam que somente Deus é digno de adoração.

Essa é a postura que Deus espera de nós, porque aquilo que pertence a César deve ser entregue a César. Mas aquilo que pertence a Deus: nossa vida, nossa fé, nossa obediência, nosso amor e nossa adoração, deve ser entregue exclusivamente a Ele.

Desafio do discípulo

Nessa semana você, leitor, é desafiado a avaliar sua postura quanto à fidelidade a Deus e submissão às autoridades. Reflita, avalie, ore e posicione-se para a glória de Deus.

Uma necessidade de oração

Diante de desafios na submissão às autoridades e no cumprimento de responsabilidades sociais, ore ao Senhor por direcionamentos para melhor refletir a Sua glória no lar, no trabalho, na sociedade, na escola, na igreja.

Abra seu coração.

  • Em relação à postura de responsabilidade com as autoridades, serviços e obrigações na sociedade e na igreja, tem sido você um exemplo de cristão que reflete Cristo? Se não, o que precisa mudar? Como você se compromete em mudanças após a leitura desse texto devocional?
  • Como cristão, como tem se portado frente às autoridades constituídas por Deus, inclusive no ambiente congregacional?

Devemos cumprir as obrigações cívicas diante da sociedade e do governo, sem jamais deixar de lado a obediência, o amor e a adoração a Deus.

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