Deixem vir a mim as criancinhas
Aux. Douglisnilson Morais
Domingo, 19 de julho de 2026
“…Deixai as crianças virem a mim e não as impeçais, porque o reino de Deus é dos que são como elas” (Marcos 10.14b)
Na reflexão de hoje, temos uma narrativa até certo ponto estranha para os nossos dias. Afinal, qual adulto impediria crianças de chegarem à Cristo? Porque tamanha proibição? Mas é isso que está acontecendo. O texto narra que “algumas pessoas traziam crianças para que Jesus as tocasse”. (Mc 10.13). Provavelmente eram pais ou familiares que admiravam Jesus, os seguiam de longe ou, ouviram falar dEle. Nada melhor do que ver seus filhos sendo abençoados por esse Mestre diferenciado dos famosos rabinos da época.
É fato que, nos tempos de Jesus, crianças não eram tidas em muita estima. Suas tagarelices e brincadeiras poderiam tirar o foco das pessoas nos “doutores da lei” respeitados e altamente egocêntricos. Além disso, para alguns, seria uma perda de tempo estar atendendo crianças em suas infantilidades.
Talvez estamos diante de um marco temporal no olhar sobre os infantes. Jesus Cristo tem um olhar diferenciado para elas e não os despede sem uma bênção especial. Além disso, elas passam a ser um exemplo para os adultos, por meio de características, como inocência, sinceridade, desprendimento, dependência e amor, de como adentrar no reino de Deus.
Podemos imaginar vozes e murmúrios na multidão de presentes diante da indignação do Senhor pela ação repreensiva dos discípulos, impedindo as crianças de chegarem até Jesus. Então, Ele pára momentaneamente a ministração, para ensinar algo prático. “Não as impeças; eu quero abraçá-las e abençoá-las; elas alegram o meu coração;”.
A forte declaração de Jesus é mais chocante do que o ato de receber as crianças. à primeira vista, parece que Ele está declarando que a eternidade com Deus é um “reino de infantes”. Nada disso, o ensino do Mestre é voltado aos corações dos adultos: autossuficientes, independentes; iracundos; insensíveis. É como se Ele estivesse definindo parâmetros da eternidade, os quais estavam distantes dos valorizados por aquela sociedade.
Reflita comigo: às vezes o conhecimento nos distancia da intimidade com Deus. Ficamos “engessados”, críticos ao extremo; fechamos as portas para crianças que querem correr ao lugar seguro que é nos braços do Pai. Nossas orações são formais; nossas declarações de amor, extremamente secas, desprovidas de emoções e sentimentos; nossa relação com nosso Senhor é distante, ainda que pareçamos estar pertos, caminhantes com as Escrituras, servindo no Reino mas, falta-nos encontros secretos no quarto da oração, para rasgar-lhe o coração, tributar nossa devoção, declarar nosso amor e necessidades nEle; suplicar o perdão; desejar seu abraço, seus ensinos, sua bênção.
O desfecho da história é um convite à imaginação. Ele pegou aquelas crianças nos braços, abençoou-as, impôs-lhes as mãos. E as despediu. Eu imagino o choro dos adultos que as conduziram e, orgulho dos pequenos que foram tocados de uma maneira especial. Aquele dia marcou a vida de muitos anônimos. Espero que, ao ler essa passagem, e essa reflexão, marque igualmente a sua vida, leitor.
Desafio do Discípulo
Gostaria de convidar a você, leitor, a uma reflexão: até que ponto sua jornada com Cristo, seu crescimento acadêmico/teológico, sua vivência no servir lhe conduz ao distanciamento do Mestre? Há um convite do alto para uma autoavaliação seguida de decisão em caminhar no reino como uma criança. Se tiver dúvidas, procure seu líder, professor ou pastor para lhe aconselhar biblicamente.
Uma necessidade de oração
Nenhuma mudança espiritual acontece como um ato comportamental. Se as palavras desta reflexão lhe constrange e convida à rendição e desejo de experimentar o Senhor, ore por isso. Suplique ao Santo Espírito por uma mudança de dentro para fora.
Perguntas reflexivas
- Quem é você: um adulto autossuficiente, que julga tudo como infantilidades; ou uma criança que caminha no reino sem crescimento? Cristo não valida nenhum destes comportamentos.
- O que preciso: para me tornar como uma criança que tem acesso livre ao Pai? Na dúvida, busque aconselhamento com uma “criança-adulta”.
- Como fazer: enumere alguns princípios e compromissos que você precisa assumir a partir de hoje. Acompanhe seu desenvolvimento em oração e perseverança.
Faz-nos, Senhor, como crianças, que desfrutam da Tua presença, bênção e amor.
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